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08-05-2007 - Curitiba
Algodão transgênico provoca contaminação no Paraná
Fiscais da Secretaria de Agricultura paranaense encontraram germinações voluntárias ao longo da rodovia PR-090, no norte do estado.

Germinações voluntárias de algodão transgênico foram encontradas no norte do Paraná por técnicos da Secretaria Estadual de Agricultura e do Abastecimento, durante fiscalização de rotina sobre o uso do solo agrícola. A contaminação foi descoberta próximo à estrada PR-090, que liga os municípios de Bela Vista do Paraíso à Alvorada do Sul.

Amostras das plantas encontradas ao longo da estrada paranaense (vários pés de algodão, já florindo) foram analisadas pelo laboratório da Secretaria e o resultado deu positivo para sementes de BT e RR (ambas da Monsanto), cujo cultivo e comercialização são proibidos no país.

O relatório Registros de Contaminação Transgênica 2006, lançado pelo Greenpeace em fevereiro, revela que o perigo ganhou proporções assustadoras em 2006, quando houve um recorde de casos em todo o mundo. (Confira aqui algumas correções ao relatório)

No décimo ano de cultivo comercial das variedades geneticamente modificadas (iniciada em 1996), foram registrados em diversos países 15 casos de contaminação genética e nove de liberação ilegal do produto no meio ambiente – como no caso do algodão encontrado no Paraná.

Para o engenheiro agrônomo fiscal Marcelo Silva, do Departamento de Fiscalização e Defesa Agropecuária (Defis) da Secretaria de Agricultura, a semente ilegal de algodão deve ter caído de um caminhão, germinando à beira da estrada.

“Esse fato demonstra o risco de proliferação descontrolada de plantas transgênicas não permitidas”, afirmou Marcelo Silva. Na opinião do agrônomo, a Comissão Técnica Nacional de Biossegurança (CTNBio) deveria observar essas ocorrências como um exemplo de como uma liberação de plantio de plantas modificadas geneticamente pode provocar contaminações nas lavouras.

Para o secretário da Agricultura do Paraná, Valter Bianchini, o caso é um alerta para o risco do transporte e plantio de lavouras transgênicas ilegais.

“As sementes podem se deslocar de um lugar para o outro de forma involuntária. A preocupação é evitar o plantio e a disseminação de culturas transgênicas não permitidas, que podem ameaçar a sanidade e a qualidade das lavouras paranaenses”, afirmou Bianchini.

O caso será comunicado ao Instituto Ambiental do Paraná (IAP) e ao Ministério da Agricultura, que decidirão o que fazer com as plantas encontradas.
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