seu e-mail seu número de sócio







 
Notícias
17.03.2005 - Goiânia (GO)
Goianos visitam o balão do Greenpeace e relembram os horrores do acidente radioativo com Césio 137
Vítimas do acidente ocorrido em 1987 mandam suas mensagens de repúdio à aventura nuclear
Na segunda cidade visitada pela Expedição Brasil Não É Nuclear, o balão do Greenpeace atraiu a atenção de centenas de pessoas que circulavam pela Praça do Trabalhador, no Centro de Goiânia. A campanha contra a construção da usina de Angra 3 e a retomada do programa nuclear brasileiro sensibilizou a população local. Todos fizeram questão de deixar mensagens de repúdio aos planos nucleares do governo na grande faixa de tecido que será entregue ao presidente Lula ao final da expedição, prevista para o início de maio. As manifestações recebidas pela Internet também serão entregues a Lula.

Veja as fotos
> Envie sua mensagem contra Angra 3

Quem esteve na praça pôde subir no balão para desfrutar de um vôo cativo – o balão subia a uma altura de 10 metros apenas. Entre os que compareceram ao evento, que durou toda a manhã, estavam algumas das vítimas do acidente com o Césio-137, ocorrido em 1987 na capital goiana. O caso é simbólico por mostrar que a questão nuclear precisa de maior atenção no Brasil.

"Fico todo arrepiado sempre que lembro do caso. Fomos enganados e estamos sofrendo as conseqüências até hoje”, afirmou João Batista, 42 anos, ex-soldado da Polícia Militar de Goiás que foi contaminado quando trabalhava isolando a área do acidente. “Não fomos avisados dos riscos que corríamos. Éramos mais de 200 policiais e outros trabalhadores circulando pela área afetada pela radioatividade. Só alguns técnicos da Conselho Nacional de Energia Nuclear (CNEN) estava com roupas apropriadas e mesmo assim ficavam poucos minutos no local. A gente ficava até 12 horas”, lembra Júlio Batista, que sofre hoje de uma grave enfermidade no fígado e no sistema nervoso. “Por isso tudo é importante campanhas como essa do Greenpeace. A população precisa saber que o país não tem hoje uma fiscalização adequada do material radioativo em uso em diversas áreas, o que representa um enorme risco à população. E construir uma usina nuclear agora só aumenta esse risco.”

Gerôncio Luiz de Lima, 48 anos, também estava em serviço na área da contaminação por Césio-137 em Goiânia, mas ao contrário de Júlio Batista, não conseguiu receber a pensão vitalícia dada a 120 pessoas contaminadas na época - outros 150 soldados da PM também não receberam nenhuma indenização. Gerôncio está com um câncer facial, tem problemas cardíacos e neurológicos em função da exposição que teve ao material radioativo. Gasta R$ 400,00 por mês com remédios. “Fiz a segurança na rua 57 e no lixão em Abadia, para onde foram os entulhos contaminados. Não nos deram nenhuma instrução de como lidar com aquele material”, lembra o ex-policial. Para Mário Rodrigues da Cunha, membro da Associação das Vítimas do Césio-137, fica revoltado quando lembra do episódio. “O governador de Goiás da época, Henrique Santillo, ordenou que apenas pessoas acima de 45 anos e que já tivessem filhos pudessem entrar no local contaminado. Eles já sabiam dos perigos que corríamos ali. Mas a gente não. Tenho fotos que mostram colegas almoçando em cima dos barris com entulhos radioativos. Muitos deles já morreram ou estão muito doentes hoje”, acusa Cunha, que foi coordenador geral da descontaminação da rua 57, uma das mais afetadas pelo acidente do Césio-137.

Apesar do grave acidente ocorrido há quase 20 anos, o Brasil ainda não tem um sistema eficiente de fiscalização e controle dos equipamentos e das instalações nucleares. Em 1987, havia cerca de 200 fiscais nucleares no país; hoje, o número é o mesmo, apesar do crescimento do uso de material radioativo em diversos setores da sociedade. Além disso, a geração de energia por usinas nucleares é cara e extremamente perigosa – um vazamento pode ter conseqüências imprevisíveis para a população e o meio ambiente.






Copyright © 1998 - 2010 Greenpeace Brasil.
Todos os direitos reservados. All rights reserved.