01.05.2005 - São Bernardo do Campo (SP) Greenpeace faz ação durante missa em São Bernardo do Campo e entrega a Lula material da campanha Brasil Não É Nuclear Ao sair da igreja da Matriz, onde acompanhou missa em comemoração ao 1o. de maio, presidente cumprimenta Lulinha Nuclear e pede relatório sobre Angra 3
Em ação do Greenpeace durante missa em comemoração ao Dia do Trabalhador, na Igreja da Matriz em São Bernardo do Campo (SP), o presidente Lula ganhou o boné e a camisa da campanha Brasil Não É Nuclear e prometeu receber relatório do grupo ambientalista lançado no último dia 26 de abril – data do acidente na usina nuclear de Chernobyl - sobre os riscos que usinas nucleares trazem ao planeta. Ao sair da Igreja, Lula cumprimentou o personagem Lulinha Nuclear e conversou alguns minutos com David Monteiro, um dos coordenadores da Expedição Brasil Não É Nuclear, que já percorreu 18 cidades brasileiras para alertar a população sobre as intenções do governo de construir a usina de Angra 3 e retomar o programa nuclear no país.
"Ele pediu para que o relatório fosse enviado, para ele e também para Luiz Marinho, presidente da Central Única dos Trabalhadores (CUT)", afirmou Monteiro, que também conversou com o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). "O senador também pediu o relatório. Apesar de defender o uso da energia nuclear pelo Brasil, o Suplicy disse que ainda há espaço para discussão e afirmou ser favorável ao uso de fontes renováveis de energia", disse.
O presidente Lula terá a palavra final sobre a construção de Angra 3 e a retomada do programa nuclear brasileiro, que inclui ainda um submarino nuclear, pequenos reatores nucleares nas regiões Norte e Nordeste, e a conclusão da fábrica de enriquecimento de urânio de Resende (RJ). O Greenpeace luta para que o projeto seja cancelado.
Durante a movimentação dos ativistas do Greenpeace do lado de fora da igreja, antes da missa, muitas pessoas manifestaram seu apoio à luta contra o uso de usinas nucleares para a geração de energia. Como o deputado federal Vicente Paulo da Silva (PT-SP), o Vicentinho, que fez questão de usar o botton da campanha. "Tenho uma grande preocupação com qualquer atividade ligada à energia nuclear, pela falta de segurança, pelos acidentes como o de Chernobyl e por sua inviabilidade econômica. Com tanta água no Brasil para gerar eletricidade, não acho que Angra 3 deveria ser um assunto prioritário", afirmou Vicentinho, acrescentando que se tivesse oportunidade de falar sobre o assunto com Lula, pediria cautela "e que o presidente levasse em conta a opinião pública". Segundo pesquisa realizada em maio do ano passado pelo Instituto de Estudos da Religião (Iser), 83% da população brasileira é contra a construção de Angra 3. "Fui contra Angra 1 e 2, e serei contra todas as outras usinas desse tipo que tentarem construir no futuro", garantiu Vicentinho.
São Bernardo do Campo foi a 18a. Cidade a ser visitada pela expedição Brasil Não É Nuclear. O balão que representa o planeta Terra não pôde ser inflado na cidade por conta dos fortes ventos (mais de 20 quilômetros por hora) e da chuva fina que caiu durante quase todo o dia.
No sábado, dia 30 de abril, a expedição do Greenpeace esteve em Campinas, onde também não foi possível inflar o balão (ventou muito). Mas nem por isso a atividade foi paralisada. Os ativistas abriram dois banners para que a população da cidade pudesse deixar suas mensagens contra Angra 3 – um na Lagoa do Taquaral e outro na feira hippie da praça do Centro de Convivência, no bairro de Cambuí – e a receptividade foi excelente. Foram colhidas centenas de mensagens e tiradas muitas dúvidas sobre os riscos que usinas nucleares trazem à população e ao meio ambiente.